21.7.09

bons velhos tempos...


Esta música e este genérico trazem-me muito boas memórias de grandes tardes de verão... Pensar nas condições de possibilidade do que era na altura, o que fazia sonhar ver esta banda desenhada... As maluqueiras que se faziam... andar descalço na calçada... roubar fruta aos vizinhos... andar à pedrada aos gatos... tomar banho em água do poço... fugir das vespas... construir cabanas na mata... Que bela infância...


As Aventuras de Tom Sawyer



Vês passar o barco rumando p'ro sul
Brincando na proa, gostavas de estar
Voa lá no alto, por cima de ti
Um grande falcão, és o rei és feliz.

E quando tu vês o Mississipi
Tu saltas pela ponte e voas com a mente.

Nuvens de tormenta já estão por aqui
Cobrem todo o céu, por cima de ti
Corre agora corre e te esconderás
Entre aquelas plantas, ou te molharás.

E sonharás que és um pirata
Tu sobre uma fragata
Tu sempre à frente de um bom grupo
De raparigas e rapazes.

Tu andas sempre descalço, Tom Sawyer
Junto ao rio a passear, Tom Sawyer...

Mil amigos deixarás aqui e além
Descobrir o mundo, viver aventuras.



Não consigo evitar cantar esta música...



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6.6.09

palavras

palavras... o que são palavras? meras expressões vocalizadas ou escritas, feitas com a vontade de querer dizer alguma coisa... sinto a tua falta...

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2.6.09

horas vagas

Sinto-me sem fé... Sinto gasto, fora de tempo... Como se os últimos anos tivessem sido apenas uma passagem, que não tivesse acrescentado nada de novo, não tivesse modificado nada... E creio que sim, que estou exactamente no mesmo sítio onde estava há cinco anos... Problemas de pertencer a uma geração que corre sempre atrás do tempo e nunca o encontra... Não me sinto parte de nada, não creio ter construido nada de relevante, não antevejo grande futuro nem grandes condições de possibilidade... Diabo de mania de só perder tempo... O tempo não para, nós paramos mas o tempo nunca pára... Acho que queria ter menos cinco anos... Poder refazer o que fiz... fazer o que não fiz... fazer o que queria ter feito... fazer o que devia ter feito... Só há uma coisa que se deve aprender com os erros. Não é não os repetir, é que não se deviam ter feito. Depois do erro cometido, raramente podemos fazer as coisas como se o erro não tivesse acontecido... Gostava de voltar atrás, àquele preciso momento no tempo e no espaço, ter dito o que não disse, ter feito o que não fiz, não ter feito o que acabei por fazer. O que devemos aprender com os erros é que não os devemos cometer... e o universo seria completamente diferente...

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26.5.09

telegramas


a dor:

O Conselho de Administração do Hospital **** ********* lamenta informar o falecimentodo seu filho ******** ******* ******. Para a família as nossas sinceras condolências.
O Conselho de Administração do Hospital **** *********


a sorte:

Tem no balcão do Banco ******** ***** de * ** ******* o voucher da viagem ganha por si. Pode proceder ao seu levantamento em qualquer altura.
Banco ******** *****


Às vezes, apesar das circunstâncias, o pormenor se ser o veículo de transmissão de emoções tão diferentes faz-me pensar que até nem é mau de todo fazer isto...

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25.5.09

semi-enganos intelectuais

dan brown:

"Correu para o bastião, como um avião com os depósitos vazios a voar a vapores de gasolina..."

Anjos e Demónios, nona edição portuguesa, página 446, ao fundo...

Mas que grande erudição...



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14.5.09

tm sítul

 sfrd... já ssu mi gr gu... s´ ss u f tcrvr p rcfrift... snh  t n ... lmsfmns nsr  numa tpirfl de l ucurf... a cabeça ptf...  lh fbt rsfmns   m nit r... d´i-m f cfbçf... s´dig  ftnirft... f grip n~f  m lfrgf... n~f  fui f  mxic ... mrdf pfrf tsf mrdf s df...


s = t

t = s

e = 

o = 

a = f

será que me enganei nalguma coisa?



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sobre ausências e faltas sentidas


a verdade vela-se...



estive quase, quase, mas mesmo quase para dizer o que não posso... 


por alguns momentos, breves, provavelmente provocados por uma embriaguês propositada, não para o efeito, dei por mim a sentir a tua falta...



 que ultraje o meu... esquecer que não tenho esse direito é um crime... 


devo remeter-me ao silencio do fingimento, minha obrigação mais que moral, minha dívida para toda a eternidade... 



sou um canalha, e assim me baptizo... 



já podes parar de fingir... 



não acredito nem por um segundo na tua dor...



sou humano... e foda-se...



isto não devia estar aqui... mas está... paciência...


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29.4.09

entre abril e maio


Um dos melhores momentos do cinema de todos os tempos... e tendo em conta o ano...



Charles Chaplin - The Great Dictator, 1940, mais informações sobre este filme aqui


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27.4.09

caminhos sinuosos a direito em direcção a uma gripe

Sinto um arranhar estranho na garganta... Não, não é nervosismo, é qualquer coisa... Uma hora depois já me dói a garganta... Merda! Estou a caminho de uma gripe... O nariz já está tapado de um lado... A cabeça começa a estar pressionada... Sinto-me pesado, lento... Vou dormir... Nos últimos dois dias só dormi 4 horas... Acordo de manhã, sinto a gripe a cortar-me o caminho... Voz nasalada, rouca, profunda... Não tenho febre, talvez ainda me safe... Fim da tarde... Estou todo fodido... Cabeça muito pesada, olhos pesados, estou ranhoso, dói-me os pescoço, tenho frio, e já não digo nada de jeito, estou todo fodido... Já sei como vai ser a noite... Vou ter febre, suar, acordar mal a pensar o que raio se está a passar... Mas já vejo tudo à minha frente... Vão ser três dias muito difíceis de passar... Merda pra isto! Odeio estas gripes sasonais...

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sobre abril

Não. Não vou ficar calado sobre abril. O que é hoje abril? Uma mera comemoração de algo que já quase ninguém se lembra... Ninguém se lembra que depois de abril houve o 11 de março, e só no 25 de novembro, com uma contra-revolução, é que terminou o prec... Ninguém se lembra que o programa de abril, as promessas de abril, acabaram em 76. Que o prec morreu muito cedo. Há quem grite, muitos, talvez demasiados, "25 de abril sempre, fascismo nunca mais"... Abril durou ano e meio... Em 83 o pobre zeca ainda dizia que o prec não tinha acabado... E não tinha, tinham acabado com ele... O que significa dizer hoje "25 de abril sempre"? Nada... Meia dúzia de saudosistas, que nem sabem bem o que a expressão quer dizer... Abril foi lentamente comido pelos tubarões... O FMI aterrou na portela... Volvidos 35 anos estamos todos na merda... Já não temos os fachos, os pides e outros que tais pra nos manter de rédia curta debaixo de uma bota cardada. Já não temos uma guerra, nem aprendemos com ela, cuspimos nos que mandamos pra lá, condecoramos os que dela fugiram. Agora pisam-nos mas com legitimidade, com leis, com códigos do trabalho. As elites são as mesmas. A corrupção e as negociatas políticas são as mesmas, há mecanismos pra as accionar, mas não interessa fazê-lo. Estávamos orgulhosamente sós, agora estamos não tão orgulhosamente na cauda da europa, na mesma sós, mas olham pra nós e nós respondemos... Desperdiçamos gerações atrás de gerações... 35 anos depois continuamos a ser a puta do país de merda de fátima, do fado e da merda do futebol... Porra! Será que em 35 anos não tivemos tempo de aprender o que é importante? E saúde? E educação? E pão? E habitação? E mais algum cabrão de um chavão, alguém tem? Porque são chavões mas são IMPORTANTES!!!

Eu queria olhar para abril não como oportunidade falhada que foi, mas com esperança. Com esperança que a memória de abril ainda desperte algumas consciências, com esperança que ainda haja alguém por aí, e que não sejam poucos, que sonhe com um abril cumprido. Quero deixar de ir a estas festas chatas em que abril foi, que bonito, abril foi... Abril já não é... Abril é memória... Boa memória... Mas o que veio depois foi a morte lenta de abril...

Mas e agora? O que vamos fazer agora? E os fachos de agora? E as leis com que nos pisam agora? Há muita coisa pra fazer. Muito fascista para derrubar. Muito patrão que abusa de quem para si trabalha. Muito jovem que sonha com um futuro que não vai ter. Muito velho que vive na miséria... Tal como antes de abril.. Temos de voltar a abril, sim! Devemos voltar a abril, mas fazê-lo de novo. Pensar um novo abril. 25 de abril, agora!

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22.4.09

isabelle chase otelo saraiva de carvalho





Faixa 9 ou o caralho - Isabele Chase Otelo


Para ouvir... ou o caralho...


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21.4.09

pensamentos


Às vezes penso: tu existes?


E tu respondes: não!



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18.4.09

coisas nocturnas



Não faço a mínima ideia do que isto seja... Acho que a banda ou lá o que é se chama "white lies" e a música de chama "to lose my life 4 play". Sei que ouvi e que gostei... e isso para mim é mais do que suficiente...

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16.4.09

post em preto



ESTE

É

UM

POST

EM

PRETO


Insira uma moeda na ranhura para mudar a cor. 

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11.4.09

apetites infernais

Conheci-te quando precisava de textos, de sonhos, teus e de outras, que me alimentassem a imaginação e me fizessem acretidar que não era só eu que vivia ou que algo fora de mim me escapava... Tornei-te hábito e sempre que aparecias lá estava eu à espera do que tinhas para dar... Um hábito que se tornou procura incessante... Dei por mim a correr na tua direção, que não sabia qual era, para devorar vorazmente o que tinhas a dizer, e nas tuas palavras colocar as minhas, pequenas correções subtis, para ter a certeza que o que dizias, o que sonhavas, era o que eu queria dizer e sonhar também... Um dia tornáste-te real... Passáste dos bits e bytes para os átomos e moléculas que já eras mas eu não sabia... E continuei a consumir o que me davas... De repente, sem pensar, sem mais nada, comi-te... Mas ao comer-te, matei-te... A minha voracidade, o meu desejo de te possuir aniquilou o que eras... Os teus sonhos perderam-se... Fiquei só com os meus... Já não existias... De ti já não restava nem pó... Só uma vaga memória, imagens e pensamentos fragmentários... Sei que ainda existes... Acho... Calculo que ainda andes por aí... Às vezes ainda te procuro... Mas as tuas palavras, que ainda leio, ecoam sempre na minha memória do que tinhas sido... Um dia comi-te... E fiz desaparecer tudo o que podias ter sido...

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10.4.09

imprevistos casuais

às vezes convém lembrar-me que uma raquete de ténis não é uma katana japonesa...

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3.4.09

coisas inúteis

Simples, mas até gostei...


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2.4.09

descargas fleumáticas 0355

Estava com vontade de escrever qualquer coisa. Uma notícia trouxe-me um sentimento misto de dor, tristeza, frustração e raiva... Que magnífica mistura... Apetece-me berrar, insultar, mandar tudo em geral e alguém em particular para a puta que os pariu... E digo-o sem problema nenhum... Apetece-me... Apetece-me atender o telefone e dizer "O que queres?!? Fode-te!! Não estou para te aturar..." Estou a pensar "mas porquê?Porque diabo?" Claro que não vou dizer nada... Vou manter-me quieto e calado, cumprindo o meu papel... Mas e se não me apetecer... Já fiquei tantas vezes calado... Já engoli tanta merda... Já tive de compreender tanta parvoíce, ser solidário, "ok, tudo bem, eu compreendo-te, como estás e isso..." Estou muito perto de voltar aos meus bons velhos tempos de cínico... Ao menos só tinha de usar uma máscara... Estou cansado de ter fé, no futuro e nas pessoas... Porra pra fé... Afinal esta merda de ser um tipo porreiro só me tem dado chatices e problemas... Só preciso de um motivo... um mero telefonema... uma pequena gota de água... um pequeno sopro... E estou ansioso para que aconteça...

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31.3.09

a um gajo idiota...

"anyway, i can try anything..."

Acorda palhaço! Arruma a cabeça! Mas para arrumar a cabeça preciso primeiro de arrumar o mundo... O mundo?!? Estás parvo?!? Trata é de ti. Arruma o teu quarto, há dois anos que falas nessa merda... Muda de vida... Sai desse trabalho de merda que te mata e estupidifica todos os dias... Tu não és isso... Não tentes arranjar desculpa... O mundo não está à tua espera... O fim da história não aguarda pacientemente as  tuas palavras sábias... Segue a tua vida... Concentra-te no que é importante para ti... Podes escrever as tuas parvoíces mas não muito que é perigoso... Mas, mas... Mas nada! Está calado, ouve o teu velho, segue em frente... Na vida há uma altura para tudo... Já estás fora do prazo... Pára de esperar, afinal, estás à espera de quê, hum? De quê? Mas de que  raio estás tu à espera?!? Explica-me? Eu... eu... Tu o quê?!? Diz-me porra! Estou à espera de perceber o que raio estou aqui a fazer!!! O quê?!? Não sabes?!? Logo tu?!? Tanto paleio, não há escatologia, não há sentido, e estás à espera de perceber o que és? Não há sentido mas há tempo!! Há presente!! Há futuro!! Então torna-te o futuro que já devias ser... Deixa-te de lamúrias parvas... Agarra o futuro!!! Deixa este presente que se eternisa... És grão de areia, sim, não serás nunca outra coisa, mas até os grãos de areia se movem, nem que não seja pela acção do vento... 

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29.3.09

grão de areia


Hoje, este pequenino grão de areia que sou eu, à escala dos milhões de grãos de areia que compõem este universo, está, de certa maneira, não direi satisfeito, mas talvez contente... Um belo jantar, um excelente charuto AVO edição 77, um fabuloso JB 15 anos e três graus... Que mundanos são estes pequenos prazeres... Mas no fundo, a linguagem que me trai, que não me deixa traduzir o que é a minha realidade, ri-se comigo do meu contentamento, porque ela sabe, melhor que eu, que o tempo é contradição absoluta, indeterminável, quando se pergunta por ele, ele já foi... 


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The Chap Manifesto












Society has become sick with some nameless malady of the soul. We have become the playthings of corporations intent on converting our world into a gargantuan shopping precinct. Pleasantness and civility are being discarded as the worthless ephemera of a bygone age - an age when men doffed their hats to the ladies, and small children could be counted upon to mind one's Jack Russell while one took a mild and bitter in the local hostelry.

Instead, we live in a world where children are huge hooded creatures lurking in the shadows; the local hostelry has been taken over by a large chain that specialises in chilled lager, whose principal function is to aggravate the nervous system. Needless to say, the Jack Russell is no longer there upon one's return.

The Chap proposes to take a stand against this culture of vulgarity. We must show our children that the things worth fighting for are not the latest plastic plimsolls but a shiny pair of brogues. We must wean them off their alcopops and teach them how to mix martinis. Let the young not be ashamed of their flabby paunches, which they try to hide in their nylon tracksuits - we shall show them how a well-tailored suit can disguise the most ruined of bodies. Finally, let us capitalise on youth's love of peculiar argot Ð only replace their pidgin ghetto-speak with fruity bons mots and dry witticisms.

It is time for Chaps and Chapettes from all walks of life to stand up and be counted. But fear not, ye languid and ye plain idle: ours is a revolution based not on getting up early and exerting oneself - but a revolution that can be achieved by a single raised eyebrow over a monocle; the ordering of a glass of port in All Bar One; the wearing of a particularly fetching cardigan upon a visit to one's bookmaker. In other words: a revolution of panache. We shall bewilder the masses with seams in our trousers that could cut paper, trilbies angled so rakishly that traffic comes to a standstill; and by refusing the bland, watery substances that are foisted upon us by faceless corporations, we shall bring the establishment to its knees, begging for sartorial advice and a nip from our hip flasks.



Apoiado!



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ventos animais

Já foi há quase um mês, mas só agora dou conta disto...

Porto, 6 de março, teatro sá da bandeira...

Alinhamento

- ventos animais
- budapeste
- tetas da alienação
- e se depois
- arrastando o seu cadáver
- tu disseste
- é um jogo
- gnoma
- em directo para a teelvisão
- amesterdão
- penso que penso
- barcelona
- 1 de novembro
- quero morder-te as mãos
- vamos fugir
- lisboa
- cão da morte

Primeiro encore

- anjos de pureza
- charles manson
- anarquista duval

Segundo encore

- oublá

e não é preciso dizer mais nada...

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1.3.09

monochrome 2 

Desliguem a música de fundo, e ouçam isto. É uma re-interpretação, pelo autor, mais intimista, não melhor, diferente, mas igualmente muito boa, e, por isso, não podia deixar de estar aqui...




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ocorrências quotidianas de uma gripe sasonal

- Criar uma variação do tradicional leite quente com mel, o leite quente com caramelo líquido.

- Os delírios frequentes, mas só quando se está com febre.

- Porque os ouvidos também estão tapados ouve-se pior e sons estranhos, como que campainhas, no meu caso ouvi algo que se assemelhava a código morse.

- Segundo dizem, a voz mais gutural num homem torna-o mais, mais sexy.

- Perde-se peso, cerca de dois quilos em três dias.

- A excelente desculpa de estando com gripe não estar apto a realizar outras tarefas.

- Creio que é tudo, algo que falte será acrescentado em posteriores revisões desta lista.


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8.2.09

monochrome life

anyway, i can try anything it's the same circle that leads to nowhere and i'm tired now. anyway, i've lost my face, my dignity, my look, all of these things are gone and i'm tired now. but don't be scared, i found a good job and i go to work every day on my old bicycle you loved. i'm pilling up some unread books under my bed and i really think i'll never read again. no concentration, just a white disorder everywhere around me, you know i'm so tired now. but don't worry i often go to dinners and parties with some old friends who care for me, take me back home and stay. mochrome floors, monochrome walls, only abscence near me, nothing but silence around me. monochrome flat, monochrome life, only abscence near me, nothing but silence around me. sometimes i search an event or something to remember, but i've really got nothing in mind. sometimes i open the windows and listen people walking in the down streets. there is a life out there. but don't be scared, i found a good job and i go to work every day on my old bicycle you loved. anyway, i can try anything it's the same circle that leads to nowhere and i'm tired now. anyway, i've lost my face, my dignity, my look, all of these things are gone and i'm tired now. but don't be scared, i found a good job and i go to work every day on my old bicycle you loved. mochrome floors, monochrome walls, only abscence near me, nothing but silence around me. monochrome flat, monochrome life, only abscence near me, nothing but silence around me.

Yann Tiersen, do álbum Le Phare, Monochrome



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7.2.09

Don Miguel de los Infiernos






O resultado de uma má fotografia, mas até parece bem não parece? Pobre Don Miguel, tão mal que eu o trato, merecia melhor sorte...



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25.1.09

a internacional em fátima

A data é dois de janeiro de 2009, o local, fátima, o altar do mundo, local de culto, de fé, de oração. Cerca das onze e meia da manhã, um aprendiz de padre tenta dar uso a um corrente meio de comunicação móvel, marcando o número de determinado destino. De repente, dentro da igreja da santíssima trindade, ao longe, como que um eco distante, podia ouvir-se um conjunto de acordes... Rezava assim: de pé ò vítimas da fome...


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Sobre a Ilha do Dia Antes de Humberto Eco

Enrolado na teia de loucura de Roberto de la Grive, perdido em parte incerta, preso num barco ao largo de uma ilha que julga ser o meridiano que determina o ponto fixo, a primeira longitude, embarcamos num turbilhão de loucuras e de loucas fantasias, imaginadas ou não, saídas da cabeça de um jovem apaixonado consumido pelo desejo, o alcoól e uma personagem imaginária de seu nome ferrante... Tudo o resto é paisagem e visões de uma pomba cor-de-laranja... Será um papagaio? Só se for na ilha de salomão... Onde se chega com um cão esventrado mas não morto. Cuidado com os canibais, comem marinheiros com medo da peste... Richelieu é um tirano caduco e Mazarino um obstinado. Eco leva-nos à perdição na mente do jovem de la Grive, da qual será muito difícil sair... 

"Não saberei nem sequer escogitar através de que última vicissitude as cartas chegaram à mão de quem devia dar-mas, retirando-as de uma miscelânea de outros desbotados e meio rasgados autógrafos.
  - O autor é desconhecido - deveria porém haver-me dito - a escrita é engraçada, mas como vê está quase apagada, e as folhas já não passam apenas de uma nódoa. Quanto ao conteúdo, pelo pouco que entrevi, são exercícios maneiristas. Sabe como se escrevia naquele Século... Era gente sem alma." 

Humberto Eco, "A Ilha do Dia Antes",  Capítulo XXXX - Colophon, último parágrafo.

Este último parágrafo não é, de todo um bom resumo para o livro, nem tiro dele a minha opinião, apenas um final irónico para tudo o que se passa antes, cheio de conteúdo.


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sou uma pedra

"Sou uma pedra, sou uma pedra, dizia-se. E depois, para evitar até falar consigo mesmo: pedra, pedra, pedra.
O que sentiria eu se fosse realmente uma pedra? Em primeiro lugar o movimento dos átomos que me compõe, ou seja o estável vibrar  das posições que as partes das minhas partes das minhas partes mantêm entre si. Sentiria o zumbir do meu empedrecer. Mas não poderia dizer eu, porque para dizer eu é preciso que haja outros, algo de outro a que possa opor-me. Em princípio a pedra não pode saber que haja outro fora de si. Zumbe, pedra ela mesmo pedrante, e ignora o resto. É um mundo. Um mundo que mundula sozinho."

Humberto Eco, "A Ilha do Dia Antes", Capítulo XXXVII - Exercícios Paradoxais sobre como Pensam as Pedras, página 434.


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alcatel

... e pela noite escura, numa fria noite de inverno, pouco depois da meia noite, um grupo de pessoas, escondidas e disfarçadas, leva a cabo a sua tarefa redentora... De repente um deles, levantando no ar uma taça de vidro, proferindo as obscuras palavras "morte à máquina", atira com força a taça contra o chão desfazendo-a em pedaços... Um curto festejo, e rapidamento o grupo dispersa... Colado a um dos cacos há um papel onde se podem ler as estranhas letras ALCATEL... 


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ano novo

Tenho apenas um voto para o ano novo. Eu sei que parece redutor apenas desejar uma coisa, mas não devemos nunca exagerar nos nossos desejos e lá diz o sábio ditado popular (estou mesmo a ser cínico) "devemos sempre ter as espectativas baixas para que depois possamos ser surpreendidos com algo mais e melhor" (acabei de inventar esta merda). E por isto o meu desejo para o ano que já leva mais de vinte dias é: um V8...

                ...ah, e já me esquecia, paz no mundo (dito com uma voz cândida e tôla e parva)...


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actualizações temporalizadas em poucos minutos

os textos que se seguem são um conjunto de textos que já aqui deviam estar e que não estavam por mera questão de poder responder ao tempo...


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20.1.09

conta corrente

E finalmente ganhas a coragem para cortar o cordão que insistias que cortasse eu, para que com isso te aliviasse do peso de seres tu a assumir a responsabilidade da separação definitiva, da qual apenas tu carecias... querias que fosse eu por ser demasiado doloroso, mas a dor é tua e não minha... eu apenas tenho pena de perder uma pessoa, que, afinal, nunca tive...


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31.12.08

as mulheres são inconstantes, como penas ao vento


"La donna è mobile"

La donna è mobile
Qual piuma al vento,
Muta d'accento — e di pensiero.
Sempre un amabile,
Leggiadra viso,
In pianto o in riso, — è menzognera.


La donna è mobil
qual piuma al vento
Muta d'accento e di pensier!
e di pensier!
e di pensier!


È sempre misero
Chi a lei s'affida,
Chi le confida — mal cauto il cuore!
Pur mai non sentesi
Felice appieno
Chi su quel seno — non liba amore!


La donna è mobil
qual piuma al vento,
Muta d'accento e di pensier!
e di pensier!
e di pensier!


Guiseppe Verdi - Rigoletto


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23.12.08

sem título

Tenho saudades tuas... Não te amo, não te quero, não te desejo, mas tenho saudades tuas... Não sei porquê... Talvez no meio da merda toda porque passamos tenha havido muita coisa boa... Houve, claro que houve... Tenho pena que te tenhas afastado, que tenhas escolhido fazer de conta que eu não existo para ultrapassar uma dor que não faz nem nunca fez sentido nenhum... Nunca foi a mim que amáste, mas a ideia de alguém que se realizou em mim... Gostava de poder ter uma conversa normal contigo... De e poder dizer que está um dia bonito, o sol brilha, os passarinhos cantam... Provavelmente seria insuportável, se calhar mais para mim que para ti... A ideia de ter uma conversa contigo... Sobre o quê? Uma trivialidade qualquer sem significado nenhum... Não te amo, não te quero, não te desejo, mas tenho saudades do que foste, se calhar só do significado, o que te dei, que foi sempre o meu e não o teu...



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21.12.08

de vez em quando

gostava que às vezes te lembrasses de mim... não muitas vezes e não com muita importância, só de vez em quando, quando acho que páras para pensar e te lembras do que eu sou e do que eu represento... eu sei que te lembras de mim de vez em quando, mas precisava que mo dissesses... nada de especial, só um olá ocasional... para me ir lembrando da condição de possibilidade que continuamos a ser... qualquer dia também me esqueço de ti como te esqueces das pessoas...

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frase do dia (ou talvez não)

isto hoje é um CAOS...





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qualquer coisa sobre o natal...

sinto-me velho... a pele está mais enrugada... as feridas demoram mais tempo a passar... a esperança no futuro é menor do que já foi... olha-se para a frente e não se vê nada, só dúvida... Esta altura do natal é tão falsa... as pessoas comportam-se como gado que se desloca para a frente e para trás, como a cumprir um ritual, sem sentido nem propósito, simplesmente por hábito, porque sim, porque sempre se fez assim... nunca gostei do natal... afasta muito mais do que aproxima, tornou-se económico, mecânico, uma mera oportunidade de fazer dinheiro, sujo, vermelho, coca-cola, falso, ilusório, enfim, espectáculo...

Curiosamente este ano parece menos agressivo, ou porque não há dinheiro ou porque sou eu que vejo menos televisão...

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12.11.08

mail

Creio que houve alguém que recentemente tentou enviar um mail para o blog... O mail mudou, já está corrigido no blog... O antigo jaz no limbo...

Post Scriptum: 18 page views? De que estavas à procura?

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aniversário

sobre os aniversários:

- fazem-me lembrar que tive um início e que por isso terei necessariamente um fim...

- só se deviam celebrar os nascimentos dos mortos, já se sabe a razão de celebrar essa existência...

- é-me muito difícil suportar ser o centro das atenções...

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31.10.08

deuses

qual é o meu papel na história? estarei com uma crise de sentido? qual sentido? não há sentido nenhum. não há destino nenhum. somos aquilo que nos fazemos, mais nada... mas qual é o meu papel na história? devo fazer o que acho que devo fazer? qual fazer? a história não existe? é só mais um conceito criado para responder aos medos de não saber porque existimos. mas... mas... então... então e o mundo? o mundo é o mundo, e não, não precisa que o penses ou que o sintas ou que o perceciones para existir... ele é! existe fora de ti, como tudo... mas... mas nada, cala-te e escreve o que tens de escrever...


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24.10.08

Definição de Filósofo, por Umberto Eco

 "- Senhor de Saint-Savin - disse-lhe Roberto -, não temeis acabar na fogueira?
Saint-Savin ensombrou-se por um instante.
 - Quando tinha mais ou menos a vossa idade adminava o que foi para mim como um irmão mais velho. Como um filósofo antigo chamava-se Lucrécio, e era também filósofo, e para mais padre. Acabou na fogueira em Toulouse, mas antes arrancaram-lhe a língua e estrangularam-no. Assim, vedes que se nós filósofos somos rápidos de língua não é só, como dizia aquele senhor na outra noite, para nos darmos bon ton. É para tirar partido dela antes que no-la arranquem. Ou então, brincadeiras à parte, para romper com os preconceitos e descobrir a razão natural das coisas.
 - Então na verdade não acreditais em Deus?
 - Não vejo na natureza nenhum motivo para isso. Nem sou o único. Estrabão diz que os Galicianos não tinham nenhuma noção de ser superior. Quando os missionários tiveram de falar de Deus aos indígenas das Índias Ocidentais, conta-nos Acosta (que no entanto era jesuíta), tiveram de usar a palavra espanhola Dios. Não acreditareis, mas na sua língua não existia nenhum termo adequado. Se a ideia de Deus não é conhecida na natureza, deve portanto tratar-se de uma invenção humana... Mas não me olheis como se eu não tivesse sãos princípios  e não fosse um fiel servidor do meu rei. Um verdadeiro filósofo não pretende de modo algum subverter a ordem natural das coisas. Aceita-a. Só pretende cultivar os pensamentos que consolam uma alma forte. Para os outros, é uma sorte que existam papas e bispos para reter as multidões da revolta e do crime. A ordem do Estado exige uma uniformidade do comportamento, a religião é necessária ao povo e o sábio deve sacrificar parte da sua independência para que a sociedade se mantenha firme. Quanto a mim, creio que sou um homem probo: sou fiel aos amigos, não minto senão quando faço uma declaração de amor, amo o saber e, pelo que dizem, faço bons versos. Por isso as damas consideram-me galante. Queria escrever romances, que estão muito na moda, mas penso em muitos deles e não me atrevo a escrever nenhum..."

Umberto Eco - A ilha do dia Antes, Capítulo VIII, A doutrina Curiosa dos Bons Espíritos Daquele Tempo, páginas 76 e 77


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impossibilidades

Quando corro atrás de alguma coisa, esqueço-me sempre do seu significado intrínseco numa desesperada busca pela apropriação do impossível...


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5.7.08

medos

Alguma vez tiveste medo de uma música?

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11.6.08

horas não muito tardias

É tarde... Percorro as ruas vazias da cidade... Procuro um sopro... uma vaga lembrança do que já foi e que não sei se voltará a ser... Aprecio estes curtos momentos de uma aparente liberdade... Ao longe um gato preto, grande, sonha com o dia em que há-de re-encontrar a sua luz... como eu sonho com o dia em que hei-de re-encontrar o velho prazer de molhar os pés numa poça de agua num qualquer areal com o sol a pôr-se à minha direita, do lado errado... Uma leve brisa traz de oeste os cheiros a pinho... Choveu há pouco, ainda é visível a água mal seca nas ruas... Mais umas horas e há-de desaparecer... como desaparecem sempre nestas alturas as esperanças de voltar atrás...

E dou por mim a escrever sem saber bem o porquê... Algum impulso mais primário ou uma qualquer necessidade de expressar qualquer coisa que não posso por palavras normais... Acabo por não dizer nada... nada de compreensível... Uma mensagem incompreensível para o destino dessa mesma mensagem é inútil... nunca será lida... nunca será compreendida... palavras perdidas num qualquer sub-mundo da compreensão ego-ista de uma qualquer consciência demasiado desconfiada e demasiado desconfiante para poder confiar a alguém a mensagem que precisa que seja lida, pelo menos por alguém, mesmo que um desconhecido... mas este destinatário não é desconhecido... é bem conhecido, e é importante que receba a sua mensagem, que possa compreender a sua mensagem... tarde demais, a mensagem perdeu-se num post críptico qualquer num qualquer espaço virtual escrito em zeros e uns magicamente ordenados e que hão-de dar sentido a alguma coisa... zeros e uns...

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18.4.08

alguns meses mais tarde...

...e dou por mim a trocar uma aula de tecnologias documentais por um arroz de atum e um linguado...

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28.12.07

capital

o capital é um espectro...

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25.12.07

natal?!?!?!?

NATAL NATAL NATAL NATAL NATAL NATAL NATAL NATAL NALAT NATAL NATAL ANATLA LATAN NATAL NALATN NALAT NLATA N!"#$!#$#%$#&%$&/%/((/&()(()/)=)()/()(/)(/)&%)^|ÇLJ M DGSGSDFHF........................................................................................................................................
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NA QUÊ?

(porque às vezes o ruído também passa mensagens)

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6.12.07

amores

O amor, às vezes, consegue ser um verdadeiro destruidor de memórias e de amizades... Não há ilusão mais inconsequente que a causada pelo amor... Falsa âncora de esperança, não alimenta nem pobres nem famintos... Só fere, separa e destrói... Eliminador de sentimentos verdadeiros... Merda para o amor...

PS: Sim, estas linhas são para ti... E para as parvoíces que me obrigas a fazer... Mas assim o queres, assim o tens...

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20.11.07

chuva

Eu ia escrever um post sobre a chuva que caiu ontem... Mas, a meio do texto, ao ter-me apercebido de quanto delicodoces e pseudo-poéticas tais palavras se estavam a tornar, e de como isso me incomoda, apaguei tudo e escrevi isto, agora... Ontem choveu. E estou contente com isso.


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5.10.07

jovem marroquino procura companheira...

Queria deixar aqui o meu aviso ao jovem marroquino que veio "parar" a este espaço há uns tempos atrás, que kalashnikov não é o apelido de nenhuma jovem de mamas grandes e de cintura fina... E que tenha cuidadinho com a vida...

para a cia: este blog recusa qualquer ligação a qualquer grupo de lutadores por uma qualquer auto-determinação particularizada em acções destrutivas contra o património comum...

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23.8.07

a moira, continuação

O problema está, parece-me, no facto de não existirem escolhas conscientes. Numa época é que o gostar é falso, é um mero produto de uma indução forçada, nenhuma escolha baseada no gosto é suficientemente segura e consciente para que se torne suportável durante um longo período de tempo. Por isso todas as escolhas são frágeis, temporais, quase efémeras... O que hoje é desejo, amanhã é repulsa. É isto o que marca a construção social hoje, a sua incapacidade de manter as suas escolhas, a sua incapacidade de manter as suas decisões e responsabilidades, falando em termos conceptuais, a sua incapacidade de se definir ao nível do micro-sistema.

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a moira

O que é o inevitável? Inevitável é aquilo que mesmo que não o desejemos, temos de viver com isso, sem mudança, sem desvio... Sempre e sempre o mesmo desde o dia do começo até ao último suspiro... Existem mesmo escolhas irreversíveis? Haverá mesmo um ponto em que assumindo uma escolha, não se possa simplesmente voltar atrás? Dizer, "desculpem, enganei-me, não era bem isto, não sei bem o que era, mas não era bem isto". Desde pequenos ensinam-nos que apenas podemos escolher uma coisa de cada conjunto de coisas que nos vão "aparecendo" ao longo da existência... Uma vida, um emprego, uma casa, uma mulher/homem, uma religião, um clube, um livro, uma música, uma imagem... Por um lado compreendo, é complicado para um ser cuja existência dura apenas cerca de 30 anos conscientes poder apreender completamente a quase-totalidade de qualquer objecto. Por outro lado parece-me de uma violência atroz ser obrigado a fruir apenas uma ínfima parte desta imensidão que é a existência. Claro que a organização social em que estamos inseridos, marcadamente religiosa da pior maneira possível (ou terá sido a religião a ser marcada pela organização social? Pactos entre política, poder e religião há-os e ainda os hão-de haver aos pontapés), vai lentamente sedando qualquer vontade de lhe fugir, de fugir a esta ordenação que, de alguma maneira, sabe a falso, sabe a imposição forçada, quase contra-natura. O problema estará no curto tempo de duração da existência humana, ou numa construção social desadequada? Inclino-me mais para a segunda hipótese, talvez por ser a mais razoável, a a mais simples de modificar...


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18.7.07

horas

A calma que aflige o campo de batalha nas horas que antecedem o embate das forças... Dentro de momentos, a tormenta abater-se-á neste lugar... e então espadas e corpos e lanças e homens e animais se lançarão numa dança infernal... da qual só restará sangue, lanças partidas e escudos desfeitos... até que o último fique de pé...

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17.7.07

greve

Venho por este meio anunciar que este blog se encontra temporariamente suspenso devido a várias actividades que estão presentemente a ser levadas a cabo pelo autor responsável pelo espaço supra citado.

Entretanto aproveito para deixar uma ligeira actualização do que tenho feito no último mês...

- Descobri que perseguir gatos com uma mangueira a deitar um jacto de água pode ser algo bastante divertido, especialmente quando não se gosta dos gatos em questão. Sinto-me um pequeno ditador quando o faço e asseguro que é muito divertido fazê-lo, pelo menos para mim. Calculo que para os gatos seja um pouco chato.

- Depois de vários anos de árdua luta derrotei finalmente a terrível conspiração universal dos padeiros, que subjugavam as vontades de todos nós tornando o pão duro ao fim de um dia. A solução está postada mais abaixo.

- Ainda não fui capaz de perceber se a presente estação meteorológica em que nos encontramos é outono ou primavera. Não me parece ser verão.

- Apesar de alguns esforços, dignos de nota, ainda não fui capaz de determinar o que é um raiquindiquen.

- Tenho a impressão que Portugal, enquanto país formalmente estabelecido, está condenado a desaparecer. É dramático que dentro dos supostos oposicionistas ao actual governo que se situam politicamente mais à esquerda reine o oportunismo. É terrível que vivamos num país de atrasados mentais que ligam a "maravilhas" não sendo capaz de discernir que há diferenças entre mundo antigo e mundo moderno e que os dois não se misturam precisamente devido às abissais diferenças em termos de capacidade técnica das respectivas civilizações.

- Já não há patriotas como antigamente. Basta compararmos dois patronos da arte em Portugal, um é Ricardo do Espírito Santo Silva, o outro é Joe Berardo. Evidentemente não há comparação possível. O primeiro é um senhor da sua época, criou um museu, oficinas e escolas. O segundo é simplesmente um mafioso. Para perceber melhor o que estou a dizer é favor consultar o programa do professor José Hermano Saraiva, "A Alma e a Gente", emitido no dia um do corrente mês no canal dois da rtp.

- Eu quero um Fiat 500. Mais informações aqui.


E até ao meu regresso... mais cedo do que tarde... mais longo do que curto...


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2.7.07

momento de loucura

Num momento de loucura, provavelmente motivado por uma ausência de ideias criativas, algo atravessou-me a cabeça, assim, como um raio, na forma de uma musiqueta irritante retirada de um anúncio de cerveja...

e versa assim:

VIVA A PIDE!

VIVA O SALAZAR!

AS BATATAS FRITAS!

E OS FRUTOS DO MAR!


Se toda a gente anda a fazer contra-informação porque é que eu não posso fazer palavras de ordem idiotas?

Agora que reparo bem, acho que aquela parvoíce ali em cima traduz, de certa forma, o estado das coisas em Portugal...


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23.6.07

o segredo do pão

Já todos nós experimentámos a sensação desagradável de ir em busca de um pão para dar umas dentadas e apenas temos pão do dia anterior... O problema do pão do dia anterior é aquele que todos sabemos, de um dia para o outro o pão fica duro. Este fenómeno ocorre quase com uma precisão cirúrgica, como se de um minuto para o outro, pronto, já está, ficou duro. Dá que pensar que não haverá nenhuma conspiração global dos padeiros para nos obrigar a comprar mais pão no dia seguinte. Contudo, eu descobri uma solução, francamente melhor que congelar o pão. Descobri eu, então, que colocando o pão no frigorífico o pão não endurece, e isto funciona com vários tipos de pão. Basta manter o pão, dentro de um saco de plástico dentro do frigorífico. O pão fica frio, mas não endurece. Para o poder comer, bastam dez segundos de micro-ondas e fica prontinho para umas dentadas ou para o rechear com o que houver a gosto. E pronto, agora boas dentadas...

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22.6.07

num país distante

Num país distante, havia uma comunidade. Essa comunidade apenas sobrevivia, e sobrevivia bem, porque alguém exterior, chamemos-lhe "deus", lhes providenciava com tudo o que precisavam, comida, espaço, água, diversão... Eram felizes, aparentemente, mas dentro da comunidade haviam duas tribos diferentes que não se davam uns com os outros. Por alguma razão, perdida algures no tempo, tinham por hábito o insulto mútuo, o roubo entre uns e outros, a má convivência... Não havia, entre a comunidade, nenhuma razão aparente que justificasse o ódio, parecia ser apenas o hábito. A terra dava para todos, havia tudo o que precisavam, onde o precisavam. Um dia, o "deus" chateou-se com o facto de não conseguirem partilhar o mesmo espaço e resolveu fazer-lhes um ultimato. Teriam trinta dias para resolver os seus problemas uns com os outros ou sofreriam as consequências. O "deus" não especificou quais seriam... Trinta dias passados e as duas tribos tinham travado uma guerra que os tinha aniquilado a quase todos. Ambas as tribos pensaram entre si que aniquilando a outra não teriam mais problemas e o "deus" nunca os havia penalizado muito, por isso acharam que não haveria problema. Durante dias lutaram, mas a sua força era idêntica, o "deus" tinha-se certificado disso. Passados os trinta dias o "deus" foi ver o que se tinha passado. Já quase não havia comunidade e o "deus" falou aos restantes: "Não souberam agir em comunidade, não conseguiram partilhar um espaço que daria bem para todos, agora já não vão partilhar nada com ninguém, vou privar-vos da liberdade". E com estas palavras viram-se todos dentro de magníficas jaulas de ouro, mas muito pequenas e das quais nunca mais sairiam. E assim se passou num país distante...


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16.6.07

kalashnikov

The War Time Rock & Roll Band:

KALASHNIKOV



Um pequeno exemplo:

Peace Is Dead




Esta fabulosa banda tem ainda outros êxitos, tais como:

Warriors of the Hezbollah

Tiananmen, Tiananmen, Kill Another Yellow Man

Sniper

Suicidide Bomber


ps: se alguém conseguir ver de quem é a foto rasgada no final do vídeo do "peace is dead", digam-me, eu agradeço...

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14.6.07

sobre a palavra dita

Sempre tive alguns problemas com as palavras... Sobretudo ao nível da palavra dita, por um lado da sua irreversibilidade, por outro das suas consequências. O problema com a irreversibilidade da palavra dita é que uma vez dita, não é possível desdizê-la. Ela fica, marca decisivamente o seu lugar, como se dividisse categoricamente dois momentos distintos, o momento antes de ser dita, e o momento depois de ser dita. Quanto as consequências da palavra dita, temos de afirmar, em primeiro lugar, que o problema das consequências está intimamente relacionado com o problema da irreversibilidade, pois não fosse por esta característica particular, não colocaríamos o problema das consequências da palavra dita. Posto isto, o problema das consequências é simples, temos de aceitar responsavelmente as consequências, boas ou más, do que dizemos, com o senão de, se não dissermos o que desejamos dizer, ficaremos sempre na dúvida quando às consequências da palavra, uma vez dita. E são estes os problemas que tenho com a palavra dita...

Posto isto, podemos concluir que é sempre muito complicado escolher a melhor altura para dizermos o que queremos, ou mesmo, independentemente da altura, dizermos o que queremos, pois nunca poderemos retirar as palavras, nem alhear-nos das consequências...


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simbolismos religiosos

Consideremos as principais razões para o religioso. São elas três. A saber: origem, sentido e escatologia.

Tendo em conta estas três dimensões do religioso, procuremos construir uma imagem simbólica da figura do deus das religiões monoteístas.

Será portanto, numa primeira fase, o grande falo originário, símbolo da força bruta de onde tudo brota e de onde tudo vem. (isto não é nenhuma boca aos feminismos)

Será, numa segunda fase, a mão, provavelmente a direita, que segura, suporta e protege, símbolo de conforto.

Finalmente será, numa terceira fase, o enorme seio, voluptuoso, onde eternamente se repousa, símbolo de recompensa, paz e tranquilidade.

Evidentemente que estas três imagens se devem fundir numa, tendo de ser, contudo, possível reconhecer cada um dos elementos individuais nessa mesma imagem...

Bons pensamentos...

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13.6.07

desejos

Quanto mais desejas algo ou alguém, mas facilmente perderás o que queres...

O mundo é um tabuleiro de um enorme jogo em que todos jogamos. Nunca mostres os teus trunfos de uma vez, ou reveles as tuas intenções, se o fizeres terás dado meio passo em direcção à derrota...

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12.6.07

atribulações laborais


A cena: num call center de um serviço conhecido:

Um cliente afirma: Boa noite! Eu queria activar o meu "reiquindiquem".

Ao que o pobre comunicador, meio atónito, responde: Como?!?!? Activar o quê?

E eis que face à reacção espontânea do comunicador, o cliente desliga.


Duas coisas:

Em primeiro lugar, não se ouvi bem, a palavra acima escrita reflecte o que ouvi na altura.

Em segundo lugar, alguém me sabe dizer O QUE RAIO É UM REIQUINDIQUEM?!?!?!?

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10.6.07

lutar

Quando se luta, pode-se ganhar...

Quando não se luta, perde-se sempre...

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8.6.07

passos em falso

agarro-me a ideias falsas, porque são verdadeiras para os outros...

numa espiral infinita de histeria colectiva...

dou comigo a comungar com falsos profetas do inevitável, e da impossibilidade de as coisas serem diferentes...

quem nunca sonhou com a mudança, está condenado a arder eternamente na fogueira das aparências do que nunca foram e que nunca serão...

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7.6.07

odeio o verão

Odeio o verão!
Odeio o verão!
Odeio o verão!
Odeio o verão!

odeio o calor insuportável...
odeio entrar no carro e assar com a temperatura lá dentro...
odeio queimar as mãos na água a ferver que sai da torneira...
odeio apanhar constipações porque o ar condicionado está a dez graus negativos e estão cinquenta na rua...
odeio o bafo quente exalado pelo alcatrão das ruas...
odeio as noites em que não consigo dormir por causa do calor...
odeio ter exames às duas da tarde com o bucho cheio e uma moleza insuportável...
odeio queimar os pés na areia...
odeio abrir a janela do quarto e ter vinte mil vespas a tentar entrar...
odeio ter de trabalhar com o calor...
odeio andar na rua com a sensação de estar a assar...

por tudo isto e, de certeza mais alguma coisa, odeio o verão...

mas o que me levou a escrever este post foi ter queimado as mãos na água quente...

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